Resumo da História da Escuna Ernestina-Morrissey 2026-09-02

Construída em 1894, em Essex, Massachusetts, como Effie M. Morrissey, a escuna foi inicialmente utilizada na pesca do bacalhau e no transporte de mercadorias nos mares do Atlântico Norte. Em 1926, foi adquirida pelo explorador do Ártico Capitão Robert A. “Bob” Bartlett, tornando-se uma importante embarcação científica. Sob o seu comando, realizou cerca de 20 expedições ao Ártico, apoiando estudos de flora, fauna e comunidades indígenas, e alcançou em 1940 uma das posições mais próximas do Polo Norte jamais atingidas por um veleiro.

Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu a Marinha dos Estados Unidos em missões de apoio e levantamento hidrográfico na Gronelândia e no Ártico. Após a morte de Bartlett, em 1946, sofreu um incêndio e acabou por afundar, sendo posteriormente recuperada.

Em 1948, o Capitão Henrique Mendes adquiriu a embarcação, rebatizou-a de Ernestina em homenagem à sua filha e transformou-a numa embarcação cabo-verdiana de transporte de passageiros e carga, que operava entre Cabo Verde e os Estados Unidos. Até à década de 1970, desempenhou um papel essencial nas ligações inter-ilhas de Cabo Verde, sendo o último veleiro regular de transporte de emigrantes cabo-verdianos para os Estados Unidos.

No final dos anos 1960 e durante a década de 1970, aumentou o interesse pela preservação da embarcação nos Estados Unidos. Em 1976, após uma tentativa de viagem para participar nas comemorações do Bicentenário norte-americano, a Ernestina sofreu um acidente que levou a uma grande campanha internacional de restauro. Cabo Verde e grupos de voluntários americanos uniram esforços para recuperar o navio.

Em 1982, a República de Cabo Verde ofereceu oficialmente a Ernestina ao povo dos Estados Unidos, entregando-a ao Estado de Massachusetts como símbolo de amizade e dos laços históricos entre os dois países. Posteriormente, a embarcação recebeu importantes reconhecimentos: em 1987 foi premiada pela preservação histórica e, em 1990, foi declarada Monumento Histórico Nacional dos Estados Unidos.

Entre 1988 e 2004, a Ernestina navegou como navio-escola, museu vivo e embaixadora cultural, promovendo programas educativos de história marítima, navegação e ciências ambientais para milhares de estudantes e visitantes.

A partir de 2005, a embarcação enfrentou novos desafios devido à deterioração estrutural e à falta de certificação para navegar. Foram realizados estudos técnicos e várias obras de restauro, incluindo reparações no casco, proa e convés, com apoio de instituições públicas, organizações históricas e voluntários.

Apesar das dificuldades financeiras e dos problemas de manutenção, a Ernestina continuou a ser preservada como um importante símbolo da ligação entre Cabo Verde e os Estados Unidos. Em 2014, passou oficialmente a chamar-se Ernestina-Morrissey, reunindo as duas grandes fases da sua história: a origem americana como escuna de pesca e exploração científica e o seu papel como navio de ligação cultural e migratória entre Cabo Verde e a América.

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Fonte: https://www.ernestina.org/about/about-ernestina/history/.

Crédito da imagem: Susan S. Banks. Fotografia reproduzida a partir da página oficial da National Maritime Historical Society (https://seahistory.org/historic-ships/ernestina-morrissey/).

Tags: Marítimo

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