A tecnologia no setor aeronáutico 2021-10-12

O relatório " Future of the Airline Industry 2035", da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) afirma que as novas tecnologias vão definir como a indústria irá desenvolver-se, sendo que será necessário encontrar novas formas de trabalhar para se adaptar ao ritmo de desenvolvimento tecnológico.

Elementos como ciber segurança, robótica, impressão 3D, novas técnicas de manutenção, realidade virtual e aumentada, IoT (Internet of Things), big data, combustíveis alternativos e novas fontes de energia, novos modelos de transporte e trânsito, são alguns exemplos das inovações proeminentes num futuro próximo.

Outras inovações tecnológicas como inteligência artificial, que já é utilizada em outros setores, pode muito bem vir a ser uma realidade e, no domínio da aviação civil, esta funcionalidade pode ser utilizada para personalizar a experiência de viagem e assim gerar uma maior satisfação junto dos passageiros.

Desta forma, a inteligência artificial e automatização, a utilização de big data, i.e. dados de grande capacidade analisados por computadores para revelar padrões, tendências e associações em relação ao consumidor, fazem parte da estratégia para prever o comportamento do consumidor e afinar estratégias no setor. Afinal, os dados são um bem precioso na era digital e um grande aliado que pode auxiliar na prevenção, melhoria da atividade ou desenvolvimento de melhores respostas junto de clientes ou parceiros.

Embora haja preocupações associadas à privacidade e à precisão das descobertas, as aplicações de big data já estão a ser usadas nos programas de formação na aviação civil, seja através de programas proactivos de gestão de segurança operacional que usam a análise de cluster dos registos dos dados de viagem para identificar anomalias em aeroportos específicos e incorporá-los em conteúdos formativos; algoritmos de aprendizagem que analisam continuamente dados a partir de cenários simulados para perceber as necessidades individuais de formação; e práticas de recrutamento e seleção baseadas na comparação de atributos dos candidatos e em análises preditivas.

Hoje em dia, já é possível aviões completarem viagens em piloto automático, com os pilotos a tomarem controlo manual apenas na descolagem e aterragem. Na opinião de alguns especialistas, tais inovações tecnológicas irão criar novas oportunidades para a próxima geração de profissionais aeronáuticos e uma nova forma de viajar para o público, mas sem dúvida, também trarão com isso desafios significativos, como integrar a segurança para o novo tráfego e um espaço aéreo cada vez mais congestionado.

Outra inovação no setor aeronáutico envolve a tecnologia biométrica, que é utilizada por exemplo no reconhecimento facial ou através da impressão digital aplicada no controlo de fronteiras, check-in, processamento de bagagens ou embarque.

Contudo, mesmo com toda esta tecnologia presente e as suas possibilidades, não é possível implementa-la sem um investimento no fator humano. O investimento na tecnologia, merece também um investimento nas pessoas, sendo que todos os elementos humanos devem melhorar as suas capacidades para continuarem relevantes e competentes na caminhada digital. Sim, a implementação da tecnologia e novos métodos poderá significar uma redução de postos de trabalho ou a eliminação de certos trabalhos mais tradicionais, mas ao mesmo tempo irão nascer novas oportunidades para pessoal mais qualificado e bem formados para lidar com estas inovações.

A propósito, o 5º Council Off-site Strategy Meeting (COSM 2018) que teve como tema “a Aviação do Futuro”, centrou-se na análise do potencial impacto da rápida mudança tecnológica na aviação civil e na discussão das diversas abordagens que poderá ser necessário adotar. Uma das conclusões saídas do encontro refere que o processo de elaboração de padrões da OACI precisará acompanhar o ritmo de desenvolvimento tecnológico na área da aviação civil, mas também, tendo em conta que muitos Estados têm dificuldades na implementação dos padrões da OACI e práticas recomendadas (SARPs), este organismo internacional poderá ter que desenvolver novas ferramentas no futuro, como por exemplo, publicando as “melhores práticas”.

Na mesma linha, os representantes da indústria concordaram que o ritmo de desenvolvimento tecnológico é mais rápido hoje do que nunca na história da aviação civil e, neste sentido, a OACI terá que se concentrar em definir claramente os desafios associados à introdução de novas tecnologias, a saber, a transição para uma abordagem mais baseada em dados para desenvolver e priorizando seus programas de trabalho; e olhar para o uso de soluções baseadas em padrões de desempenho como meio de manter o ritmo com o desenvolvimento.

Ou seja, a própria Organização da Aviação Civil Internacional precisará encontrar novas maneiras de trabalhar para se adaptar ao ritmo acelerado de desenvolvimento tecnológico e às necessidades cada vez maiores dos Estados-Membros, onde a expansão do que existe com parcerias e um envolvimento proactivo com a indústria, para acompanhar mudança tecnológica, serão essenciais.

Apesar das tecnologias estarem a avançar e a indústria caminhar para a sua adoção, tudo pode cair por terra sem uma implementação efetiva e estratégica. Não basta simplesmente aplicar, mas sim testar, testar e testar em vários cenários, com diferentes passageiros e diversas áreas. É importante também recordar que mais investimento em tecnologia, implica também uma maior noção no que toca à privacidade e um investimento de igual forma em segurança, uma vez que as ameaças são maiores.

Tags: Tecnologia

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